No mesmo ano em que no Bra­sil o Beato José de Anchieta en­tregava sua alma a Deus, na Suíça outro grande jesuíta dos tempos áureos da Companhia também encerrava sua carreira na Terra: São Pedra Canísio, o homem a quem considerável parte do mun­do alemão deve sua fidelidade à Igreja de Roma. Pelos seus escri­tos e pela sua palavra inflamada, esse filho de Santo Inácio de Loyola conseguiu opor uma bar­reira sólida aos avanços da here­sia luterana os protestantes.

Pedro Canísio, quando tinha menos de treze anos, ele já reunia meninos e meninas à sua volta para ensinar passagens da Bíblia, orações e detalhes da doutrina da Igreja. Mais tarde, seria autor de um catecismo que, publicado pela primeira vez em 1554, teve mais de duzentas edições e foi traduzido em quinze línguas.

Nasceu em oito de maio de 1521, no ducado de Geldern, atual Holanda. Ao contrário dos demais garotos, preferia os livros de oração às brincadeiras. Muito estudioso e dedicado, com quinze anos seu pai o encaminhou para estudar em Colônia e, com dezenove, recebeu o grau de doutor em filosofia. Não aprendeu somente as ciências terrenas. Com um mestre profundamente católico, Pedro também se aprofundou, nos estudos da doutrina de Cristo, fazendo despertar a vocação que se adivinhava desde a infância.

Logo após sua formatura, os pais, que almejavam um belo futuro financeiro para a família, lhe arranjaram um bom casamento. Mas Pedro Canísio não aceitou. Não só recusou como também fez voto eterno de castidade. Dirigiu-se para Mainz, dedicar-se somente ao estudo da religião.

Orientado pelo padre Faber, célebre discípulo do futuro santo Inácio de Loyola, em 1543 ingressou na recém-fundada Companhia de Jesus. Três anos depois foi ordenado padre jesuíta, recebeu a incumbência de voltar para Colônia e fundar uma nova Casa para a Ordem. Assim começou sua luta contra um cisma que abalou e dividiu a Igreja: o protestantismo.

Quando era professor de teologia na cidade de Colônia, sendo respeitado até pelo imperador, Pedro Canísio conseguiu o afastamento do arcebispo local, que era abertamente favorável aos protestantes. Em seguida, participou do Concílio de Trento, representando o cardeal Oto de Augsburg. Pregou e combateu o cisma, também, em Roma e Messina, onde lecionava teologia. Mas teve que retornar à Viena, onde o protestantismo fazia enormes estragos.

Foi nesse período que sua luta incansável trouxe mais frutos e que também escreveu a maior parte de suas obras literárias. Fundou vários colégios católicos como em Viena, Praga, Baviera, Colônia, Innsbruck e Dillingen.

Foi nomeado pelo próprio fundador, Inácio de Loyola, provincial da Ordem para a Alemanha e a Áustria. Pregou em Strasburg, Friburg e até na Polônia, sempre denunciando os seguidores do sacerdote Lutero, pai do protestantismo.

Admirado pelos pontífices e governantes do seu tempo, respeitado como primeiro jesuíta de nacionalidade alemã, Pedro Canísio morreu em 21 de dezembro de 1597, em Friburg, atual Suíça, após cinqüenta e quatro anos de dedicação à Companhia de Jesus e à Igreja.

Foi canonizado por Pio XI, em 1925, para ser festejado, no dia de sua morte, como São Pedro Canísio, Doutor da Igreja, título que também recebeu nessa ocasião.

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