Papa aos capuchinos: liberdade profética e sábio discernimento

Além da eleição do novo governo da Ordem, disse o Papa, os Padres Capitulares dedicaram amplo espaço ao documento “Ratio Formationis Ordinis”, que conduz a pessoa consagrada ao coração do Evangelho.

Manoel Tavares – Cidade do Vaticano

O Santo Padre concluiu sua série de audiências na manhã desta sexta-feira (14/09) recebendo, no Vaticano, 250 participantes no Capítulo Geral da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.

Em seu discurso, o Papa cumprimentou os Capitulares Capuchinhos, mas, de modo particular, o novo ministro-geral, Frei Roberto Genuin, e seu Conselho.

A seguir, Francisco referiu-se aos trabalhos Capitulares, durante os quais foi debatido o tema “Aprendam de mim… e encontrarão”, para “individuar perspectivas apostólicas e educativas para seus irmãos espalhados pelo mundo”.

Gestos concretos e diários

Além da eleição do novo governo da Ordem, disse o Papa, os Padres Capitulares dedicaram amplo espaço ao documento “Ratio Formationis Ordinis”, que conduz a pessoa consagrada ao coração do Evangelho, que é a forma de vida de Jesus, dedicada totalmente a Deus e ao próximo, sobretudo aos últimos e marginalizados. E o Papa exortou:

“Nas pegadas do Divino Mestre e seguindo o exemplo de São Francisco, que descobriu a humildade e o serviço no contato com os leprosos, vocês devem se esforçar para viver as relações e as atividades religiosas com gratuidade, humildade e mansidão. Assim, poderão realizar, com gestos concretos e diários, o estilo próprio dos Frades ‘Menores’, que caracteriza os seguidores de Francisco de Assis”.

Humildade e simplicidade

De fato, frisou o Santo Padre, esta característica é um dom precioso e necessário para a evangelização, a Igreja e a humanidade do nosso tempo. Humildade e simplicidade representam o estilo de Deus, que nós cristãos devemos assumir em nossa vida e em nossa missão. E os Capuchinhos, de modo particular, o levam adiante com seu apostolado generoso entre os vários povos e culturas, sobretudo entre os pobres e sofredores. Por isso, o Papa os incentivou:

“Encorajo-os neste esforço, que no Capítulo Geral vocês compartilharam, em nível internacional! Peço-lhes que não desanimem diante das dificuldades, como a diminuição do número dos Frades em determinadas áreas, mas renovem sempre a confiança e a esperança com a ajuda da graça de Deus. Que a alegria do Evangelho, que encantou o Pobrezinho de Assis, seja a fonte de sua força e constância”.

Unidade, comunhão e diálogo

A seguir, Francisco falou sobre a realidade atual em que vivemos, que mostra sinais de desconforto espiritual e moral, devido à perda de referências seguras e consoladoras da fé. Hoje, mais do que nunca, as pessoas precisam ser acolhidas, ouvidas e iluminadas com amor, como os Capuchinhos fazem por tradição. E o Papa acrescentou: “Sejam mestres de oração e cultivem uma forte espiritualidade. Sejam testemunhas de unidade, comunhão e diálogo”.

Por fim, recordando os numerosos mártires e testemunhas da fé, que os Frades Capuchinhos ofereceram à Igreja ao longo dos séculos, Francisco afirmou:

“A santidade deles confirma a fecundidade do carisma e os sinais da identidade de vocês: a consagração total a Deus até ao martírio; a vida simples entre as pessoas; a sensibilidade com os pobres; o acompanhamento espiritual, com proximidade e humildade. Nas pegadas deste seu estilo típico de vida, vocês são animados pelo zelo apostólico, liberdade profética e sábio discernimento nas fronteiras missionárias, em colaboração e união com os Bispos e com a comunidade eclesial”.

O Santo Padre concluiu seu discurso aos Capitulares Capuchinhos dizendo: “A identidade carismática, enriquecida pela variedade cultural da Ordem religiosa, é mais do que válida e atraente, hoje, para os jovens, que buscam autenticidade e essencialidade”.

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