O heroísmo da Beata Madre Teresa de Calcutá, que será canonizada no dia 4 de setembro deste ano, não se fundamentou só no serviço para com os pobres, mais também na profundidade e duração de seu deserto espiritual.

O postulador da causa de canonização dessa futura santa, padre Brian Kolodiejchuk, afirma que o heroísmo de Madre Teresa vai além de sua vivência do Evangelho, há muito mais a se descobrir sobre ela.

O sacerdote, também membro dos Missionários da Caridade, fundado pela Beata, destaca como ponto mais importante da vida de Madre Teresa, sua experiência de escuridão espiritual, que a fez se sentir totalmente abandonada por Deus durante muito tempo.

Deserto espiritual

Madre Teresa viveu mais de 50 anos de escuridão e abandono que sentia depois de receber o que ela denominava “um chamado dentro do chamado”, para sair das Irmãs de Loreto e fundar as Missionárias da Caridade, explicou o sacerdote.

A Beata de Calcutá havia rezado fervorosamente para compartilhar o sofrimento de Jesus. Muitos, inclusive o seu diretor espiritual, acreditaram que seus sentimentos de rechaço e abandono eram um reflexo da própria experiência de Cristo da solidão e da desolação durante Sua Paixão e Morte.

Devido à profundidade e duração desse deserto, muitos a aclamaram como uma grande mística em relação ao tema da escuridão espiritual.

O postulador destaca porém, que ela era muito concreta ao olhar a realidade. Ele assinalou que muitas pessoas “acreditam que os santos estão em algum lugar nas nuvens místicas”, mas isso não era verdade em Madre Teresa, que era espiritual, mas, ao mesmo tempo, atenta e ativa na vida dos outros.

Embora fosse comum ver a religiosa albanesa sorrindo, em sua carta ao seu diretor espiritual, em 1957, a Beata escreveu: “Chamo, aferro-me, quero e ninguém me responde. Quando tento elevar meus pensamentos ao céu, há tal convicção de vazio que esses mesmos pensamentos retornam como facas afiadas, e danificam minha alma”.

Por Canção Nova, com ACI Digital

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