Leituras
Jr 20,10-13
Sl 68,8-10.14.17.33-35 (R.14c)
Rm 5,12-15
Mt 10,26-33

 

12ª Semana do Tempo Comum – Ano A

 

Domingo

 

Primeira Leitura:  Jr 20,10-13

Jeremias disse: 10 Eu ouvia as calúnias de muitos: “Terror de todas as partes! Denunciai-o! Denunciemo-lo!”. Todos os meus amigos íntimos vigiavam os meus passos: “Talvez ele se deixe seduzir e possamos vencê-lo! Dele nos vingaremos!”. 11 Mas Javé me assiste como valente guerreiro, por isso os meus perseguidores tropeçarão e não conseguirão nada. E, por não terem conseguido nada, ficarão cobertos de extrema vergonha, de desonra eterna, inesquecível. 12 Javé dos exércitos que sondas o justo, e vês os rins e os corações! Veja eu tua vingança contra eles! A ti entreguei minha causa! 13 Cantai a Javé, louvai Javé, porque salvou a vida do pobre das mãos dos malvados!

Salmo: Sl 68,8-10.14.17.33-35 (R.14c)

R. Atendei-me, ó Senhor, pelo vosso imenso amor!

8 Por ti é que sofro injúrias e sinto arderem-me as faces.9 Pois meus irmãos, até eles, estranho me consideram. Os filhos de minha mãe me tomam por forasteiro. 10 O zelo da tua casa devora-me como fogo. O insulto de quem te insulta recai, ó Deus, sobre mim.

14 Ó Deus, na hora propícia dirijo-te a minha súplica. Responda-me o teu amor, que o teu socorro não falhe!

17 Escuta-me, Senhor Deus, pois é grande a tua graça. Oh, volta-me a tua face na tua imensa piedade!

33 Humildes, vede e alegrai-vos; renovem-se as vossas almas, ó vós, que buscais a Deus! 34 Atende o Senhor aos pobres, jamais despreza os cativos. 35 Aclamem-no céus e terra, o mar, e o que neles vive!

Segunda Leitura: Rm 5,12-15

Irmãos: 12 Portanto, assim como por um só homem o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram… 13 Pois, antes que fosse dada a Lei, já existia o pecado no mundo. Mas o pecado não é tido como tal quando não existe a Lei. 14 No entanto, a morte reinou de Adão a Moisés, mesmo sobre aqueles que pecaram estando solidários com a transgressão de Adão, figura daquele que devia vir… 15 Mas o dom gratuito não é semelhante à culpa. Na verdade, se muitos morreram pela culpa de um só homem, com maior razão temos que a graça de Deus e seu dom gratuito, pela graça de um só homem, Jesus Cristo, se derramou por toda a multidão dos homens.

Evangelho: Mt 10,26-33

Naquele tempo, disse Jesus a seus apóstolos:26 Por isso não tenhais medo deles! Nada há de oculto que não seja revelado, e nada há de secreto que não se venha a saber.27 O que vos falo na escuridão da noite, dizei-o em plena luz; e o que ouvis em segredo, proclamai-o sobre os terraços. 28 Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, temei aquele que pode fazer a alma e o corpo morrerem na geena. 29Não se vendem dois passarinhos por um centavo? Entretanto nenhum deles cai ao chão sem permissão do vosso Pai! 30 Quanto a vós, até os cabelos de vossa cabeça estão contados! 31 Não tenhais medo, então. Valeis mais do que muitos passarinhos. 32 Portanto, todo aquele que se declarar por mim diante dos homens, eu também me declararei por ele diante de meu Pai que está nos céus; 33 mas aquele que me renegar diante dos homens, também eu o renegarei diante de meu Pai que está nos céus.

Leituras: Diretório da Liturgia e da Organização da Igreja no Brasil 2017 – Ano A – São Mateus, Brasília, Edições CNBB, 2016.

Citações bíblicas: Bíblia Mensagem de Deus, São Paulo, Edições Loyola e Editora Santuário, 2016.

Boa Nova para cada dia

Primeira Leitura: Jr 20,10-13.

O Senhor está a meu lado, como forte guerreiro; por isso os que me perseguem cairão vencidos. (Jr 20,11a).

A Liturgia da Palavra deste domingo nos lembra a força que têm aqueles que creem em Deus diante das perseguições porque têm a garantia dada pelo próprio Deus.

Deus pede de nós testemunho de nossa fé. Em outras palavras, Deus pede de nós que mostremos ao mundo sem fé que Ele existe e dá sentido à existência de todas as criaturas deste mundo.

O profeta Jeremias foi, como todos os profetas em Israel, maltratado e perseguido por seus irmãos de sangue; não foram estrangeiros que o perseguiram e desacreditaram imaginando conseguir calá-lo. Como profeta de Deus, ninguém teve força de o calar. Todos os seus inimigos se perderam com a queda de Jerusalém vencida pelos babilônios, mas a ele, Deus o salvou.

O grande motivo pelo qual Jeremias era forte diante de todas as perseguições era seu amor a Deus, no qual punha sua completa confiança. Deus mesmo lhe garantira isto ao chamá-lo para advertir Israel à conversão. Mesmo sem ver a conversão de Israel ao longo de sua vida, Jeremias pôde prevê-la nas décadas seguintes, durante o Exílio na Babilônia.

Jeremias jamais fugiu à sua missão, porque em Deus tinha sua força: O Senhor está a meu lado, como forte guerreiro; por isso os que me perseguem cairão vencidos. (Jr 20,11a).

Do mesmo modo devemos nos sentir fortes com a ajuda de Deus quando nossa fé Nele é combatida por inimigos da Igreja ou mesmo dentro de nossas famílias. Quanto maior a perseguição maior é a convicção que Deus nos dá para enfrentar os inimigos de nossa fé.

Sabemos que milhares de cristãos, católicos ou não, são perseguidos no mundo de hoje. Notícias nos chegam de vários países, especialmente os submetidos ao Islã. Além destes países, outros que professam o ateísmo, como a China, perseguem grande número de cristãos.

Jesus mesmo previu que a perseguição que fizeram a Ele seria feita também a seus discípulos. Estejamos certos de que um dia ou outro teremos que dar as razões de nossa fé e firmados em Deus defendê-la. E tenhamos certeza: Deus nos protege e salva mesmo nos piores momentos.

Salmo Responsorial: Sl 68(69),8-17.33-35.

… meu zelo e meu amor por vossa casa me devoram como fogo abrasador [Sl 68(69),10].

Se perguntássemos a Jeremias por qual motivo se sentia forte com a proteção de Deus, ele nos diria que esta mesma proteção de Deus o fazia firme em seu zelo pela fé de Israel, pelo Templo em Jerusalém.

O Salmo de hoje descreve este zelo como um fogo abrasador. Este zelo consumia os outros profetas, como Elias, que teve força para enfrentar os sacerdotes de Baal e a rainha Jezabel num período de grande risco para a religião do Povo Eleito.

Jesus como profeta agiu da mesma maneira.

Um dia foi ao Templo e expulsou os cambistas, comerciantes e negociantes que se aproveitavam da fé do Povo para se enriquecerem, deturpando o sentido do próprio Templo como casa de Deus.

Jesus, naquele momento, sentia em seu íntimo o mesmo que este Salmo diz: … meu zelo e meu amor por vossa casa me devoram como fogo abrasador [Sl 68(69),10].

Mas o que Jesus fez teve seu preço: foi perseguido até morrer pelos seus irmãos de sangue. O mesmo sofrera Jeremias.

Cantando este salmo na liturgia deste domingo,

peçamos a Deus que torne realidade o zelo que devemos ter

por Ele,

por nossa fé,

pela Igreja.

Segunda Leitura: Rm 5,12-15.

O pecado entrou no mundo por um só homem. Através do pecado entrou a morte. E a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram. (Rm 5,12).

São Paulo nos fala da origem da morte no mundo.

Todos tememos a morte. A humanidade toda, por todos os séculos, procurará sua causa.

São Paulo nos dá a causa da morte: o pecado.

Se não houvesse o pecado não haveria morte.

Como seria nossa existência sem morte no fim de nossa história?

Jamais poderemos imaginar propriamente o que seria nossa vida sem a morte.

No entanto podemos imaginar uma Vida Eterna que nos livra da morte.

E esta Vida Eterna é a que Jesus prometeu a todos os que se alimentassem de Seu Corpo e Seu Sangue (Jo 6,54). Mas não somente através da Eucaristia que Jesus nos prometeu a Vida Eterna, e sim em consequência de várias condições.

Jesus nos prometeu a Vida Eterna como ao jovem rico:aos que O seguirem como seus discípulos, depois de darem o lucro da venda de seus bens aos pobres (Mt 19,21).

Também disse sobre quem tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe ou mulher, ou filhos, ou campos, por causa do Seu nome receberá muitas vezes mais e herdará a Vida Eterna. (Mt 19,29).

O simples fato de crer em Jesus é garantia que Ele dá para alcançarmos a Vida Eterna: Jo 3,15-16.36; 5,24.

Mas o que é a Vida Eterna? Jesus responde: “a Vida Eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, …” (Jo 17,3). Tenhamos bem presente o significado do verbo ‘conhecer’ tal como usado por Jesus aqui: significa ‘amar’. Ora, amar ao Deus único e verdadeiro e a Seu Filho não é outra coisa que cumprir o Primeiro Mandamento. Portanto a Vida Eterna está ao nosso alcance especialmente no cumprimento do Primeiro Mandamento.

Assim, relendo São Paulo nesta Segunda Leitura, entendemos que a morte que entrou no mundo por causa do pecado, é aniquilada pela Vida Eterna que o amor a Deus e a Seu Filho nos proporciona.

Não nos esqueçamos, portanto, e meditemos hoje: a salvação do pecado e da morte é o amor a Deus.

Evangelho: Mt 10,26-33.

“… todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também Eu Me declararei em favor dele diante do Meu Pai que está nos céus” (Mt 10,32).

O amor a Deus e a Seu Filho Jesus implica nossa atitude coerente de testemunhar nossa fé na existência Deus e de Seu Filho no mundo em que vivemos.

Há católicos que têm vergonha de se mostrarem como católicos em determinados ambientes. Estes não se declaram a favor de Jesus Cristo diante dos homens. Portanto não podem esperar que no dia do Juízo Final Jesus Cristo os defenda diante do Pai como advogado salvador. É o que Ele diz claramente em Mt 10,32.

Sabemos que esta exigência posta por Jesus Cristo faz sentido.

Não podemos aceitar o Batismo e ignorar a prática de nossa fé, o testemunho dela diante dos outros. Isto é uma questão extremamente séria: não seremos salvos se fraquejarmos no momento em que os outros nos pedem o testemunho de nossa fé.

Antigamente falava-se de uma atitude vergonhosa dos católicos quando lhes pediam este testemunho: sentiam “respeito humano”. Embora a expressão não seja tão frequente ou aceita hoje em dia, esta realidade continua sempre a mesma: há católicos que sentem vergonha de o serem.

Peçamos a Deus que nos ajude a vencer esta vergonha e sentir a alegria por professarmos nossa fé no Deus vivo e verdadeiro e em Seu Filho Jesus Cristo. Será assim que nossa vida nesta terra passará e a Vida Eterna nos será dada.

Rezemos também por aqueles que,

temendo zombarias ou perseguição,

sentem vergonha de Jesus Cristo.

Que Deus dê a todos o dom da fortaleza do Espírito Santo,

e sejam firmes no zelo pelo amor a Deus.

Assim todos merecerão a Vida Eterna

quando julgados por Jesus Cristo no último dia.

Autor: Pe. Valdir Marques, SJ, Doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

Descobrindo a Bíblia

O profeta Jeremias

Para ilustrar o anúncio das perseguições, no evangelho do 12º domingo do Tempo Comum, a liturgia escolheu a figura do profeta Jeremias (1ª leitura). É o profeta perseguido por excelência, embora não o único.

O livro do profeta Jeremias é bastante complexo. A parte 1,1–15,14 contém oráculos e gestos proféticos de Jeremias dirigidos contra o reino de Judá (capital Jerusalém), sob os reis Josias, Joaquim e Sedecias (entre 626 e 587 a.C.). Os caps. 16,1–45,5 são oráculos de salvação para Israel e Judá e relatos acerca do ministério de Jeremias; 16,1–51,6 reúne oráculos contra as nações estrangeiras(a introdução ficou fora de lugar, em 25,15-38); e 52,1-34 é um apêndice histórico baseado no fim do 2º Livro dos Reis (a queda de Jerusalém em 587/86 a.C.).

Jeremias é a ilustração viva da solidão que a Palavra de Deus pode impor a seu profeta. A Palavra o põe à margem da sociedade (15,17). Fica fora da vida familiar (16,5-9), sem casar — coisa estranha no antigo Israel/Judá (16,1-4). Ele é chamado desde o seio materno para ser um paradigma de contradição (1,5-10). Se ele “devora” com ardor a Palavra de Deus quando vem até ele (15,16), a mesma Palavra o separa do mundo. A Palavra o queima por dentro (20,9), a multidão concebe ódio por ele (20,10), mas exatamente nesta situação é que Deus está com ele e se mostra seu resgatador (20,11-13).

O profeta Jeremias nos surpreende com sua linguagem crua para falar de seu sofrimento, sem fazer gracejos para Deus. Sobretudo nas assim chamadas “Confissões”: Jr 11,18–12,6; 15,10-21; 17,4-18; 18,18-23; 20,7-18 (não confundir com as “Lamentações”, que constituem um livro à parte na Bíblia). Ele se diz seduzido por Deus, como uma moça que sofre abuso (20,7). Por isso, como Jó, amaldiçoa o dia em que nasceu e em que anunciaram a seu pai seu nascimento (20,14-15).

Qual era seu problema? O problema era que ele estava vendo, com seus olhos proféticos, a degeneração do povo e não poupava as críticas. Estava vendo o perigo dos reis de Judá que pactuavam com o Egito, para se defenderem contra o poder emergente dos babilônios, no qual Jeremias enxergava, pelo contrário, um instrumento pedagógico de Deus… E, enquanto ele enxergava tudo isso e o anunciava abertamente, nada acontecia e o povo caçoava de sua pregação.

Até que, de repente, a invasão dos babilônios mostrou que Jeremias tinha razão.

Não falta atualidade a esta figura. Profetizar é ingrato. Quando nada acontece, o profeta fica ridículo. Quando a coisa está para acontecer, ele é considerado cúmplice (Jeremias foi jogado na prisão por ser considerado simpatizante dos babilônios, enquanto apenas declarava que eles eram os mais fortes). E, depois que aconteceu, o profeta sofre junto com os demais (Jeremias arrastado para o Egito, no fim de sua vida).

Mas Deus está aí. Louvai o Senhor (20,11.13)!

Hoje em dia, estamos vendo coisas que só podem terminar mal: a desigualdade crescente entre os humanos; o desrespeito aos mananciais da vida, na natureza e nas pessoas; a negação dos valores éticos e morais, tornando a exploração e a violência pão de cada dia… Mas quem critica isso é considerado contrário à liberdade e ao progresso. E o show continua.

Até que, de repente…

Artigo extraído do livro Descobrir a Bíblia a partir da Liturgia, Pe. Johan Konings, Loyola, 1997.

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