Em todo o Brasil, representantes da Igreja Católica pedem que a população se una em manifestações contra as reformas da Previdência e trabalhista. Líderes argumentam que propostas não dialogam com o povo

Mais de 400 bispos estão reunidos em Aparecida, São Paulo, para a Assembleia Nacional em que deverão redigir mais um documento unificado contra as reformas da Previdência e trabalhista propostas pelo governo do presidente Michel Temer. A militância de alguns clérigos já começou pelas redes sociais. Eles pedem que os fiéis se unam em paralisação geral do dia 28 de abril sexta-feira.

No Ceará, o bispo Dom Gilberto Pastana, da Arquidiocese do Crato, gravou vídeo convidando a população para participar de ato “A Caminhada pela Vida contra a Reforma Previdência e Trabalhista” em Juazeiro do Norte, às 16 horas.

“Diga sim a vida e diga não à exclusão, à morte, à possibilidade da perda de direitos conquistados por todo o povo de Deus”, enfatizou o sacerdote.

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a principal representante da Igreja Católica no País, já havia publicado nota de repúdio às reformas. A entidade se uniu ainda com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em manifestação contrárias às medidas.

Para o secretário-geral da CNBB, Leonardo Stainer, o que faltou foi debater melhor o tema com a sociedade. “O movimento sinaliza que a sociedade quer o diálogo, quer participar, quer dar sua contribuição. Reformas de tamanha importância não podem ser conduzidas sem esse amplo debate”, disse. Ele garantiu ainda que as manifestações serão pacíficas.

Porta-voz da CNBB no Nordeste, o Padre Gilson Soares explica que as mudanças não foram suficientes para mudar a visão da Igreja porque vários pontos ainda precisam ser conversados. “No tempo da ditadura, a Igreja esteve muito presente e depois esfriou um pouco. Mas agora diante do grito do povo, a Igreja está de novo junto com o povo, marchando em ele, na rua com ele”, admite o padre, que tem 40 anos de sacerdócio.

Representantes da Igreja argumentam ainda que os projetos prejudicariam os mais pobres e ferem os ensinamentos religiosos que seguem, como a igualdade.

“Dizem que essa reforma da Previdência vai pegar os pobres. Vou usar uma palavra forte: mentira. Mentira, porque 63% do povo brasileiro ganham salário mínimo, portanto, (a reforma) não vai atingir os pobres. Os que resistem e fazem campanha são os mais poderosos, são aqueles que ganham mais”, rebateu o presidente Michel Temer, em meio a críticas.

Carta do Papa

Há pouco menos de duas semanas, o líder da Igreja Católica, papa Francisco, enviou carta ao presidente falando da crise e declinando convite para vir ao Brasil neste ano.“Não posso deixar de pensar em tantas pessoas, sobretudo nos mais pobres, que muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam ser aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão muito além da esfera meramente financeira”, escreveu o pontífice.

Oficialmente, a recusa se deu por choque de agenda, conforme o Planalto e ofício do do departamento de imprensa da Santa Fé.

Bancada evangélica

Igrejas evangélicas também se manifestaram contra a reforma da Previdência. Atualmente a bancada evangélica possui 92 parlamentares, muitos dos quais estão contra as medidas. Em nota conjunta,presidentes da várias igrejas disseram: “As mulheres, sabidamente, em nossa sociedade, exercem dupla jornada laboral, trabalham cerca de 7,5 horas a mais que os homens, de acordo com levantamento do IPEA, e não se podem ignorar as diferenças de gênero”. O texto é 30 de março. Desde as mudanças na PEC, o posicionamento não foi atualizado. Entre as signatárias da nota estavam Aliança Evangélica (AL), Convenção Batista Brasileira (CBB), Convenção Batista Nacional (CBN), Igreja Evangélica de Confissão Luterana Brasileira (IECLB), Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB), Igreja Metodista no Brasil (IMB), Igreja Metodista Livre (IML) e Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPIB).

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