O suicídio de uma estudante argentina que atirou na boca dentro da sala de aula com seus companheiros, na cidade de La Plata, novamente é um alerta sobre o acesso fácil que os adolescentes e os jovens têm ao conteúdo da internet, assim como a permeabilidade das séries como 13 Reasons Why ou o jogo da Baleia Azul.

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Lara Tolosa Chanetón, uma estudante de 15 anos do Colegio National em La Plata, na Argentina, se suicidou no dia 3 de agosto com um tiro na boca com uma arma que ela carregava em sua mochila. A menina faleceu depois de agonizar durante quatro dias no Policlínico San Martin.

O plano da jovem foi conhecido desde que ela o descreveu na rede social Voxed. Nesta plataforma, também foram ameaçados seus companheiros, os quais supostamente cometiam bullying com Lara; uma das principais teorias do suicídio que ainda está sendo investigado pela polícia.

‘El Diario Hoy’ consultou o especialista criminalista Fernando Elzaurdia, que manifestou que “atualmente somos bombardeados pela mídia, tanto com a literatura, música, como pelas redes sociais, onde há material potencialmente suicida”.

“Basta ver o jogo da Baleia Azul. É necessário estar alertas de que a população mais vulnerável neste tema são os menores de idade. Na internet, há muitas informações valiosas, mas há muito lixo que se refere sem nenhuma censura a esses temas de suicídio e outros temas muito delicados”, sublinhou.

A Baleia Azul começou a viralizar na Rússia. Trata-se de uma série de 50 desafios, que são passados aos participantes por meio de grupos fechados em redes sociais. Entre os desafios estão cortar os próprios braços e pernas até desenhar uma baleia. O último é pular de cima de um prédio.

O especialista também foi consultado pelo estudo da Universidade de San Diego State que observou as pesquisas de internet, 19 dias depois da estreia da série de 13 Reasons Why.

13 Reasons Why é uma série que conta a história de uma jovem de 17 anos que comete suicídio e assinala a um grupo de pessoas, as 13 “razões” pelas quais ela decidiu acabar com a própria vida.

O estudo descobriu que as pesquisas da palavra “suicídio” aumentaram em quase 20%, o “suicídio adolescente”, em 35% e “canções suicidas”, em quase 60%.

Elzaurdia manifestou que “este programa contém material sobre o suicídio e é um tema que deixa a juventude muito curiosa. É necessário cuidar muito bem o que os nossos filhos assistem”.

Vazio espiritual e orfandade

O Arcebispo de La Plata, Dom Héctor Aguer, lamentou este acontecimento e comentou no programa de televisão ‘Claves para un Mundo Mejor’ que a “influência da cultura atual” é uma das causas que provocam o vazio espiritual nas novas gerações.

“Fala-se de jogos que existem nas redes e que incitam ao suicídio. Tudo está nos alertando sobre um vazio espiritual, de almas vazias, de almas que não têm Deus e, portanto, não podem ter a si mesmas”.

“São pessoas, são seres humanos, que não podem se conhecer plenamente, não sabem o que são, quem são, para que estão neste mundo, o que é a vida e o que é a morte, o que acontece depois da morte”, acrescentou.

“Suscitou-se uma discussão a respeito do tema de que se os pais devem vigiar e como devem vigiar o acesso dos seus filhos às redes. Hoje, as crianças entram prematuramente e de forma muito independente neste mundo”.

“Sem querer ofender ninguém”, disse Dom Aguer, outra “coisa que acontece muitas vezes é que as crianças parecem órfãs, as crianças estão desorientadas, não recebem a educação em casa, a formação que deveriam receber muitas vezes é distante deles. A separação dos pais é muito frequente e não advertem os danos que isso pode causar nos seus filhos”.

O Arcebispo encorajou a investigar “o fenômeno característico da nossa cultura”, que é o dos filhos abandonados, dos jovens solitários, ou daqueles que “cobrem essas carências com a agitação do boliche”.

“Vocês têm filhos, netos, sobrinhos, então observem isso, aproximem-se um pouco mais deles para saber como estão. Aproximem-se deste mundo para nós, idosos, tão misterioso, de infância e da adolescência”, concluiu.

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