A dor do Papa diante dos ataques na Nigéria: garantir a segurança dos cidadãos

0
28

Francisco escuta um jovem que se confessa no Jubileu dos Jovens (23 de abril de 2016

 

No domingo 26 de setembro, mais de 40 pessoas foram mortas em ataques armados contra os vilerejos de Madamai e Abun, no norte do país. Francisco rezou pelos mortos, pelos feridos e por toda a população no final da audiência geral. Nos últimos dias, uma blitz de cerca de nove horas entre os jihadistas de Boko Haram e Iswap para o controle da costa nigeriana do Lago do Chade.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

O Papa Francisco disse estar muito triste por causa dos sangrentos ataques que estão ocorrendo nestas horas na Nigéria, onde há uma batalha interna contínua entre as duas principais facções jihadistas Boko Haram e Iswap, o Estado Islâmico da África Ocidental, estabelecido após a morte de Abubakar Shekau, líder de Boko Haram que faleceu em maio.

A oração do Papa

No final da audiência geral desta quarta-feira na Sala Paulo VI, o Papa lamentou as vítimas dos ataques armados em dois vilarejos: “Soube com tristeza da notícia dos ataques armados que ocorreram no domingo passado contra os vilarejos de Madamai e Abun no norte da Nigéria”, disse o Pontífice.  “Rezo por quem perdeu a vida, por quem ficou ferido e por toda a população nigeriana. Faço votos de que seja sempre garantida no país a incolumidade de todos os cidadãos.”

 Localidade no norte da NigériaLocalidade no norte da Nigéria
Localidade no norte da Nigéria

Agressões armadas

Em 26 de setembro, homens não identificados atacaram o vilarejo de Madamai no distrito de Kaura. 34 moradores foram mortos no ataque, sete feridos, de acordo com fontes de segurança do Estado de Kaduna. Os soldados intervieram imediatamente e, após um intenso combate, forçaram os agressores a recuar. Como retaliação a este ataque, outras oito pessoas foram mortas, seis ficaram feridas e várias casas foram destruídas no vilarejo de Kacecere, de acordo com relatos na segunda-feira à noite.

Crise de segurança

Agravada pela mudança climática e por um boom demográfico em um país que já tem cerca de 200 milhões de habitantes, a violência esporádica levou a uma grave crise de segurança, com ataques de bandidos armados e represálias entre comunidades. Gangues criminosas saqueiam vilarejos, roubam gado e realizam sequestros para obter resgate. Este ano, segundo a Unicef, as quadrilhas visaram escolas e universidades, sequestrando mais de 1.400 alunos.

Uma luta morte de nove horas

Além das mortes nos vilarejos, houve mais de 100 mortes, segundo a segurança local, na blitz lançada pelos seguidores de Shekau entre 27-28 de setembro contra um reduto de combatentes de Iswap no lado nigeriano do Lago Chade. Uma “luta mortal”, como definida pelos pescadores locais, que durou cerca de nove horas, das 4 da tarde até às primeiras luzes do amanhecer, com o objetivo de conquistar a ilha estratégica de Kirta Wulgo, considerada um reduto da Iswap e usada para importar armas e suprimentos alimentares em seu território.

Medo de um conflito prolongado

Fontes locais explicaram que este último ataque foi uma tentativa de Boko Haram de contrastar a consolidação do Estado islâmico da África Ocidental na região. No mês passado, Boko Haram já havia tentado invadir Kirta Wulgo, mas foi repelido pelas milícias do Iswap e sofreu pesadas perdas. Agora, com este revés, a Iswap pode estar buscando vingança. O medo é que este seja apenas o começo de uma batalha interna que durará por muito tempo.

Nas últimas horas, outros 18 soldados morreram na emboscada de Iswap no campo de Burkusuma, uma de suas bases militares no estado de Sokoto, no extremo noroeste da Nigéria, na fronteira com o Níger.